Sábado, 22 de Setembro de 2007

Porque é que só somos tolerantes connosco próprios?

 

Apesar de tudo as vitorias que realizou com a nossa selecção, nunca fui um verdadeiro entusiasta do nosso seleccionador nacional, mister Scolari. Sobretudo porque não vou muito com treinadores brasileiros. Acho os treinadores brasileiros demasiado folclóricos e amadores para o nosso futebol. Porém, por incrível que pareça, os maiores sucessos alcançados pela selecção nacional foram realizados por treinadores brasileiros, outrora o mítico Otto Glória, actualmente o irreverente Scolari. 

Mas apesar de ser adepto de futebol, há muito que deixei de acompanhar com regular assiduidade todas as noticias e respectivos jogos. Por vários motivos que se prendem com a minha vida pessoal. Por outro lado porque me parece que esse desporto ultrapassou as fronteiras do razoável. Mas não é sobre futebol que eu pretendo falar neste post, é sobre a tolerância. Apenas quero utilizar o exemplo do célebre soco do nosso seleccionador ao jogador sérvio, que eu aqui não me atrevo a escrever o nome. A imagem que o mister Scolari passou para os portugueses, ao longo destes anos entre nós, foi uma imagem de superioridade. Dava a impressão de estar acima de tudo e de todos. Quase que era com sacrifício que ele era o nosso seleccionador nacional. Se não fosse ele nos não éramos nada nem ninguém no mundo do futebol. Ora, isso para além de não ser verdade, é o mais puro acto de arrogância e vaidade. O futebol português hoje deve mais ao Porto, Sporting, e Benfica pelo que têm feito nas competições europeias nos últimos cinco anos do que ao Senhor Scolari.

Porém essa sua arrogância e vaidade, caiu-lhe aos pés aquando do episódio com o jogo da Servia. Primeiro ele veio com toda a arrogância negar o que tinha feito, mas como no dia seguinte estava bem explicito nos jornais o que tinha feito, veio pedir desculpas, e mesmo assim desculpou-se logo a seguir com o jogador sérvio. Porquê?

Não é só o senhor Scolari que é assim. Somos todos nós. Todos nós somos intransigentes com os outros, principalmente com aqueles que por algum motivo social ou profissional estão num escalam inferior ao nosso. E quem disser que não é assim, está a mentir. A tolerância só é importante e valida quando chega a nossa vez de sermos castigados.

Um outro exemplo disso, agora numa versão mais colectiva, foi o que se passou com o governo português e a vinda de Sua Santidade Dalai Lama ao nosso país. Durante cerca de 25 anos, Portugal andou a apresentar a questão de Timor-leste a meio mundo. Qual algum sentimento de culpa é verdade, mas não se fartou de fazer alarido em todas as reuniões internacionais onde esteve presente, correndo até o risco de ser mal visto entre o seus parceiro europeus, sobretudo holandeses e ingleses, por boicotar tudo o que se relacionava com a Indonésia. Sobretudo no governo socialista liderado por António Guterres. Agora que felizmente a situação com Timor-Leste já está resolvida, passaram uma esponja na sua memoria, e um também governo socialista não é capaz de receber um Líder religioso, mas sobretudo politico de um pias que vive uma situação muito semelhante à que viveu Timor-Leste. Porquê? Interesses económicos? Talvez. Mas, sobretudo, parece-me que por falta de tolerância, compreensão, para com uma situação de opressão semelhante há-de Timor – Leste.

Gostava que reflectíssemos bem neste aspecto. Ser tolerante para connosco ou nas situações em que nos é favorável é muito fácil, mas, e ser tolerante nas situações em que somos nós os “prejudicados”, se é que podemos ser prejudicados por sermos tolerantes e compreensivos. Porque será que somos assim? Não está na altura de mudamos.

 

 

P.S.- Este post era para ter sido publicado na quinta-feira, mas por falta de tempo e oportunidade para o redigir só me foi possível publica-lo hoje. Obrigado pela vossa compreensão J

 

 

publicado por Miguel Neto às 10:23
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

Afinal, quem manda em nós ?

 

 

Apesar de quando ocorreu o desaparecimento da pequena Madeleine McCann eu estar bem longe de Portugal e do Algarve, sempre acompanhei, quando me era possível, o caso com uma curiosidade peculiar, quanto mais não fosse porque se tinha nada na minha região. Porém, o facto de estar longe de casa fez com que eu acompanhasse o assunto com uma muito saudável distancia. Esse aspecto fez com sempre me parecesse que se estava a empolgar demasiado o caso, talvez, pensando eu, porque este caso estava sob influencia da sempre cínica e falsa imprensa inglesa. Para além da excessiva cobertura televisiva, pareceu-me também com demasiado protagonismo a cobertura do caso ao nível religioso. Não estou a dizer que os pais da criança não tivessem o apoio religioso muitíssimo necessário num caso deste género. Porém parece me que esse apoio deve ser eficaz e discreto, sobretudo quando temos a imprensa Inglesa a tomar conta do caso. Essa discrição vislumbra-se sobretudo no saudável distanciamento que convêm tem de qualquer caso que contenha uma investigação policial, quanto mais não seja para evitar alguns incómodos que possam surgir.

Aliás é sobre este saudável distanciamento que eu gostaria de referir neste Post. Desde desaparecimento da menina inglesa temos sido constantemente bombardeados com informações, quer da imprensa portuguesa e sobretudo da imprensa inglesa, e com comentários de “especialistas” sobre essas informações. Perante este bombardeamentos somos impelidos, digamos mesmo obrigados, a ter opinião sobre o caso, ainda que a nossa opinião não tenha qualquer fundamento lógico e concreto no caso. A nossa opinião é a opinião que a comunicação quer que tenhamos. No inicio, afirmávamos que aqueles pais eram uns “pobres coitados”, e que “via-se na cara deles” o desespero pela filha desaparecida, porém agora afirmamos que sempre tivemos a certeza que eles eram os culpados e que mereciam ir directamente para a prisão.

Pois é, mas eu aqui pergunto: em que dados objectivos e concretos nos apoiamos para dizer que os pais são inocentes ou culpados? Certamente que em muitos jornais e revista quer portuguesas quer inglesas. Mas isso não são dados objectivos e concretos. Em muitos casos são interpretações tal validas como as nossas e não se regulam por dados objectivos.

A nós, e na minha modéstia opinião, cabe-nos manter uma saudável distancia do caso, para podemos analisar friamente o que a nossa policia judiciaria nos comunica. Ela sim, esta verdadeiramente a par do caso, ou no fosse ela uma das melhores da Europa. E se ela tem duvidas, como podemos nós ter certezas.

publicado por Miguel Neto às 14:06
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

Perante a duvida… continuar a caminhar

«Tu és, eu sei, a pessoa mais incapaz – fraca e pecadora – mas exactamente por seres assim quero usar-te para a Minha Glória. Recusarias?»

 

Apesar de no interior de alguns sectores da Igreja Católica já se saber à muito da longa “noite escura” da Madre Teresa de Calcutá, só agora passados dez anos da sua morte chegou ao conhecimento geral essa sua longa etapa de busca incessante de Deus na sua vida. Algumas vozes mais cépticas e certamente desconhecedoras do que é uma luta interior em busca de Cristo na nossa vida, levantaram-se logo a questionar a santidade daquela mulher que dedicou a sua vida de uma forma incompreensível ao serviço dos mais pobres e necessitados.

Antes de mais parece-me oportuno fazer uma explicação do que se entende por “noite escura”. Por “noite escura” não se entende um momento de dúvida de fé, nem um momento onde se põe em causa a existência de Deus. Por “noite escura” entende um período, em que o cristão orante não sente a acção de Deus na sua oração, ou seja, o cristão reza e ora quotidianamente e incessantemente a Deus, porém e perante essa oração sente simplesmente o silêncio de Deus. Para quem não está imbuído do espírito cristão pode-se tornar difícil perceber este fenómeno, mas para quem vive quotidianamente da oração sabe o quanto custa sentir o silencio de Deus depois de um longo período de oração e reflexão não há nenhuma dificuldade de compreensão deste fenómeno. Não existe um período fixo em que o crente se encontra na “noite escura”. Esse período vária conforme a sua relação com Deus. Esse período é normalmente caracterizado por uma grande aridez na vida e, sobretudo, na oração, levando muitas vezes o cristão a questionasse se valerá a pena continuar a sua obra e se não se terá enganado a respeito dos desígnios de Deus para a sua vida. No entanto, volto a referir, um cristão que vive um período de noite escura, apesar dessas dúvidas nunca coloca a existência de Deus em causa, mas coloca em causa a relação de Deus consigo e o papel que Ele tem na sua vida.

Perante isto pode-se perguntar: Será normal uma mulher que lançou uma obra que fez desinstalar meio mundo incluído a própria igreja Católica, caminhar com a ausência daquele que lhe motivou a criação dessa obra? È possível, e na minha opinião parece-me até que seja a normal, já que, Madre Teresa provavelmente foi uma das cristãs mais conscientes do sec. XX, e a prova-lo estão os seus escritos agora publicados em livro.

Em primeiro lugar, qualquer ser Humano e sobretudo um cristão perante a pobreza do próximo questiona-se sobre a realidade de Deus no mundo. Isso porque, ao contrário do que alguns possam pensar, a doutrina cristã nunca defendeu a pobreza física do ser Humano, mas sim a pobreza de espírito, ou seja a pobreza perante o criador do mundo e perante o seu Filho Redentor Jesus Cristo. Sendo assim, é normal que a Madre Teresa sentisse um enorme vazio interior perante toda a pobreza que encontrava. Será que Jesus me abandonou? Será que Jesus nos abandonou? Será que Deus abandonou o mundo? Perguntas muito normais em qualquer cristão, que sabe que o ideal cristão nos impele em ir ao encontro de Deus através do mais pobre.

Em segundo lugar, e sem estar perfeitamente por dentro da vida e obra da Madre Teresa, parece-me que ela era sem duvida uma cristã muito exigente consigo própria e com aqueles que a seguiam. A prova-lo esta toda a estrutura e carisma da congregação que ela fundou, as Missionárias da Caridade. As Missionárias da Caridade são provavelmente uma das congregações da igreja católica mais exigentes consigo próprias. Elas não se limitam a viver para os pobres, mas vivem com os pobres e como os pobres e abandonados a que prestam serviço. Esta enorme exigência e coerência de Fé é própria dos santos que tiveram longos períodos de “noite escura”. A começar logo pelo santo que introduziu o termo, São João da Cruz. São João da Cruz era tão exigente e coerente com a sua Vida Cristã que reformou uma das mais antigas ordens da Igreja Católica, a ordem Carmelita. A seu lado nessa reforma também teve uma Santa que passou por um longo período de “noite escura”. Santa Teresa de Ávila, outra mulher que mexeu, desinstalou e reformou o Carmelo, perante a exigência de Vida Cristã que sentia no seu interior mais profundo.

Porém, fora da ordem carmelita também existiram muitos Santos que passaram por períodos de “noite escura” e que levaram a cabo obras que se perpetuam no interior da Igreja. Primeiramente, são Francisco de Assis, muito tempo antes do já referido São João da Cruz tem “descoberto” o termo, ou por exemplo, Santo Inácio de Loyola, que antes da Fundação da companhia de Jesus passou igualmente por um período de deserto na sua vida.

Por isso, não há dúvida nenhuma de Madre Teresa de Calcutá está ao nível desses grandes Santos e renovadores do Catolicismo. Também ela criou uma obra que revolucionou a forma da Igreja católica ver a ajuda aos mais necessitados. Não devemos tratar o pobre como alguém de fora, mas devemos descer ao nível do pobre, trata-lo como o nosso irmão, para o elevarmos a um nível acima.

Perante isto é normal que se debata com a duvida do papel de Deus na sua vida, pois se o próprio Filho de Deus na Cruz exclamou pelo abandono do Pai naquela hora de dor e entrega.

Madre Teresa, como demonstra a transcrição acima sabia que a obra não era sua, e por isso perguntava constantemente se estava a trabalhar para a gloria de Deus, como Ele lhe tinha pedido, ou se, pelo contrario estava a usar a obra de Deus para o seu próprio proveito e para a sua própria gloria humana.

publicado por Miguel Neto às 14:03
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

Ao que isto chegou!

 

Há já algum tempo, estando eu num pais muito distante, deparei me com uma noticia desta nossa pátria Lusitânia que me deixou perplexo: Dado que o Governo regional da Madeira não tinha disponibilizado verbas para se realizarem abortos naquela ilha, as mulheres madeirenses que quisessem abortar teriam que vir revolver esse seu problema (provavelmente causado porque se esqueceram de usar o preservativo aquando da relação sexual) na Maternidade Alfredo da Costa.

Ora, o que me chamou a atenção foi precisamente o local da nossa capital onde seria realizado o aborto, ou seja, a Maternidade Alfredo da Costa. Que profunda contradição aquelas centenárias paredes ao observar. Aos anos atrás uma maternidade era o local onde nasciam crianças, agora é o local onde matamos crianças. Ao que isto chegou!

Não é so porque sou profundamente contra a liberação do Aborto que estou a fazer referencia a esta questão, mas é sobretudo porque ficou incomodado com o facto de se usar uma casa com o nome de Maternidade para se por fim à vida de crianças, que são as únicas que não são culpadas das asneiras dos pais. Façam abortos onde quiserem, mas por favor não numa casa com o nome de maternidade, senão daqui a uns anos temos hospitais a matar voluntariamente pessoas, ou cadeias a libertar deliberamente os seus presos, ou ainda policias a assaltar as pessoas, ou padres amaldiçoar os fiéis.

Não sei que nome se há-de à casa onde se realizam abortos. Penso até que quem é favorável à liberalização do aborto é que deve resolver esse problema toponímico. No entanto, penso que deviam ter mais respeito por uma casa que se chama Maternidade
publicado por Miguel Neto às 11:41
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